Terça-feira, 15 de Maio de 2012

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

EM NOVEMBRO TEATRO VIRIATO

Funeral do General.

S: Está tão pensativo, Senhor Merlim.

A: Já tenho idade para poder contar a minha vida. Mas como é que a conto? E para quê? Ou a vida dos outros. Para quê? Já tenho idade para fazer a minha vida. Mas como é que a faço? E quem é que faz? E para quê?

S: Estamos aqui a despedir-nos de uma pessoa humilde e arrogante, boa e má, velha e nova, um general que para servir a sua causa nunca olhou a meios, e o Senhor Merlim só é capaz de pensar em si?

A: Os funerais fazem-me pensar em mim. E os casamentos também. E os nascimentos. E o vento. E os hospitais. E as cidades.

S: Então diz-me, essa comédia que nos vais oferecer para animar o funeral é divertida? Tu até tens espírito, mas terás espírito suficiente para fazer alguma coisa… que fique?

A: Fica sempre tudo. É terrível. Nada desaparece por completo. Fica a decompor-se até à eternidade. Por etapas. Por fases. Por atos, cenas, versos e minutos. Um dia e outro dia. Categorias e géneros. O verdadeiro desafio está em fazer o que não fique. O que se esquece para sempre. Que passa e nunca mais volta. Já nem na memória. É essa a comédia que eu queria. Mas falta-me o espírito.

S: Não será técnica o que lhe falta?

A: Não é possível ser invisível. Mesmo quando morremos. Fica aqui um corpo. E as malditas histórias que inventaram para recordar o passado. Eu não quero ser nostálgico. Sou velho e não quero ser nostálgico. Mas tenho demasiadas memórias. A Guerra dos Cem Dias, a das Estrelas, do Golfo, da Secessão, do Ultramar, das Rosas, dos Mundos. Só queria a graça de produzir alguns belos versos que me provem que não sou inferior àqueles que desprezo.

S: Mas isto não é uma tragédia. Está a tornar-se insuportável. É cada vez menos divertido falar consigo.

A: É o início da terceira idade. Acabaram-se as comédias de portas e abriram-se as portas da comédia. Abre-te, comédia. E levanta-te e anda, General.

Jingle: Et resurrexit!


in Terceira Idade de J.M. Vieira Mendes

Terça-feira, 13 de Março de 2012

AMANHÃ na PRAGA! OLD SCHOOL #8 ESTÚDIO CANDONGA





OLD SCHOOL #8 
Estúdio Candonga: Mensagem número 4: A Metrópole
Rita GT & Francisco Vidal 
14 Março 2012, 22h

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Barco do Triunfo

STAGE-DIRECTOR Consider for a moment the relationship of the men on a ship, and you will understand what I consider to be the relationship of men in a theatre. Who are the workers on a ship?

PLAYGOER A ship ? Why, there is the captain, the commander, the first, second and third lieutenants, the navigation officer, and so on, and the crew.

STAGE-DIRECTOR Well, and what is it that guides the ship?

PLAYGOER The rudder?

STAGE-DIRECTOR Yes, and what else?

PLAYGOER The steersmanwho holds the wheel of the rudder.

STAGE-DIRECTOR And who else?

PLAYGOER The man who controls the steersman.

STAGE-DIRECTOR And who is that?

PLAYGOER The navigation officer.

STAGE-DIRECTOR And who controls the navigation officer?

PLAYGOER The captain.

STAGE-DIRECTOR And are any orders which do not come from the captain, or by his authority, obeyed?

PLAYGOER No, they should not be.

STAGE-DIRECTOR And can the ship steer its course in safety without the captain?

PLAYGOER It is not usual.

STAGE-DIRECTOR And do the crew obey the captain and his officers?

PLAYGOER Yes, as a rule.

STAGE-DIRECTOR Willingly?

PLAYGOER Yes.

STAGE-DIRECTOR And is that not called discipline?

PLAYGOER Yes.

STAGE-DIRECTOR And discipline what is that the result of?

PLAYGOER The proper and willing subjection to rules and principles.

STAGE-DIRECTOR And the first of those principles is obedience,is it not?

PLAYGOER It is.

STAGE-DIRECTOR Very well, then. It will not be difficult for you to understand that a theatre in which so many hundred persons are engaged at work is in many respects like a ship, and demands like management. And it will not be difficult for you to see how the slightest sign of disobedience would be disastrous. Mutiny has been well anticipated in the navy, but not in the theatre. The navy has taken care to define, in clear and unmistakable voice, that the captain of the vessel is the king, and a despotic ruler into the bargain. Mutiny on a ship is dealt with by a court-martial, and is put down by very severe punishment, by imprisonment, or by dismissal from the service.

PLAYGOER But you are not going to suggest such a possibility for the theatre?

Gordon Craig, The Art of the Theatre. 1st Dialogue

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

OLD SCHOOL #7 JEMIMA STEHLI ESTE SÁBADO 22H






OLD SCHOOL #7
JEMIMA STEHLI 
“5 hrs 19 min of deixa-me ser PAUS 15/01/11”
11 de Fevereiro de 2012, Sábado, 22h
no Espaço Teatro Praga (Poço do Bispo), Lisboa
*One night only* 



Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Livro Praga

“Há livros em que fica um para contar
náufrago, sobrevivente, narrador obrigado
cuja função é dar futuro ao já passado.
Não é esse o caso aqui. Nesta história
nem escritor nem leitor: vai tudo.’
E foi assim que fiquei mudo.”
in Demo, Um musical Praga

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

«She's pregnant.»



«I'm not an artist.»

Sábado, 24 de Dezembro de 2011

The Gospel According to Havel

"I know that by saying all this here, I am running the risk that whole armies of scientists and journalists will label me a mystic who is abusing this renowned university forum to spread his obscure opinions. I will not hold it against them, because I am well aware that in the eyes of modern man thoughts of this nature inevitably carry with them a hint of obscureness, and many times this attitude brings complications into my own life: I know that to my own detriment I am too suspicious of many things. The risk of ridicule, however, is insufficient reason for me to remain silent about something I am constantly persuaded is true. "

10/04/94, Stanford University

Sábado, 3 de Dezembro de 2011

Domingo, 13 de Novembro de 2011

Política da imortalidade

Nous sommes aujourd’hui confrontés à une surproduction de mémoire, de souvenirs, à la surproduction de l’ancien. C’est la raison pour laquelle nous avons aussi des difficultés à identifier ce qui est neuf. On dit souvent qu’il ne peut plus rien exister de nouveau aujourd’hui (...). Je crois que l’on ne peut pas affirmer ce genre de choses parce qu’on ne peut pas le prouver. Le nouveau est toujours possible. Mais on ne peut pas distinguer si le nouveau est vraiment nouveau dans la mesure où nous ne savons pas précisément à quoi ressemble l’ancien. (...) Or aujourd’hui, nous le savons tous, la mémoire est un territoire qui fait l’objet d’intenses combats politiques, et comme nous croyons ne plus savoir ce qui existait autrefois, nous ne pouvons plus non plus reconnaître le nouveau en tant que tel d’une manière évidente.
C’est la raison pour laquelle aujourd’hui, la différence entre l’ancien et le nouveau perd peu à peu de son importance pour la prétention à l’immortalité – ou du moins pour la prétention à la durée culturelle. La profession de foi envers l’immortalité est donc devenue définitivement politique ou, si l’on veut, purement subjective, parce qu’objectivement injustifiable. (...) lorsque, par example, un artiste ou un philosophe restent sur leurs positions, c’est uniquement, si l’on en croit ces théories, parce qu’ils sont traumatisés, justement, de ne pas avoir été traumatisés. Le traumatisme passe aujourd’hui pour la seule excuse à la fidélité à soi-même, dans une société qui méprise tout ce qui est «dépassé» et qui exige constamment de ses membres qu’ils soient de leur temps ou, encore mieux, qu’ils soient, «beaucoup plus avancés» qu’ils ne le sont effectivement.
Boris Groys

Domingo, 2 de Outubro de 2011

Amanhã na Culturgest

What is theatre about?
Sobre que é o teatro?

Luis Miguel Cintra, actor, encenador, fundador e director do Teatro da Cornucópia, Prémio Pessoa 2005, para além de muitas outras distinções, uma personalidade maior da cultura portuguesa;
José Maria Vieira Mendes, dramaturgo diversas vezes premiado, tradutor, colaborador dos Artistas Unidos, membro do Teatro Praga;
Francisco Frazão, programador de teatro da Culturgest, colaborou com os Artistas Unidos, tradutor, publicou artigos sobre teatro, cinema e literatura.
O debate, que se estende ao público, é moderado por Tiffany Jenkins, socióloga, comentadora cultural, Arts and Society Director do Institute of Ideas.

http://www.culturgest.pt/actual/12-battleofideas.html


DEBATE
SEG 3 DE OUTUBRO
Pequeno Auditório
18h30 · Entrada gratuita

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

If you wanna kill us, we'll be there




Hoje, no Espaço Praga, Old School #2

Sábado, 13 de Agosto de 2011

EGOSISTEMA™ by André e. Teodósio at CCB August 13th!






Praça do Museu

no CCB Fora de si
sábado 13 de agosto às 21h30
Entrada livre

com André e. Teodósio, André Godinho, António Gouveia, Catarina Campino, Cláudia Jardim, Joana Manuel, João dos Santos Martins, Patrícia Azevedo Silva, Paula Sá Nogueira, Rita Só e Sara Correia

mais AQUI

fotos: Susana Pomba aka Miss Dove

Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

Murder on the dance floor

Como todas as boas histórias, esta é motivada por uma necessidade única e avassaladora: reaver o que se perdeu. É como a repetição de um assassinato. A repetição de um assassinato antigo. Os irmãos de uma tribo antiga, governada por um pai tirano, revoltam-se e matam o seu carrasco, e depois assam o comem o cadáver (é este o pecado original, o conhecimento secreto por detrás de cada fé). Eu sou um assassino. As minhas mãos estão cobertas de sangue.

O princípio da Lei é o fim do assassínio. A memória do primeiro assassinato foi sublimada, mas reemergiu, foi recuperada, com o passar do tempo, primeiro com os sacrifícios animais, em que o crime era reencenado, com o animal sacrificado a fazer o papel do pai, sendo depois cozinhado e comido; depois nos cultos pagãos em que os deuses são presentificados com uma cara humana; e depois no monoteísmo, em que o pai regressa, um homem com uma cara, o lider da tribo, vingativo e assassino. A história da espécie é a história da recordação amnésica desse crime.

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Hoje em Guimarães às 21:30 no Espaço Convívio

"O último álbum do Fausto chama-se A Ópera Mágica do Cantor Maldito e vamos pô-lo a tocar esta noite"


inserido no Box Project

formador de teatro: Pedro Zegre Penim
formadora de iluminação: Wilma Moutinho

mais info aqui: http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=136182669795472

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Terceira Idade (mais um pedacinho)

C: Adensa-se a trama. E fica tramado. Apareceu um morto. E também um vivo. No meio dos insectos e por baixo dos cacaueiros, bambús e acácias. Está na altura de chamar o detective. Um polícia capaz de nos explicar a narrativa.

B: O meu nome é Bob e chamaram por mim. Algum crime?

C: Infelizmente temos a declarar um óbito, uma ressurreição, um final, um falso final e uma tragédia.

B: Estão identificados os perpe… perpre… preper… perpertra… perpetradores de tanto acto criminoso?

C: Sumiram-se. Há actos mas não há agentes.

B: Agente é da polícia. E eu também. Estou a ver que voltamos a ter um filme entre mãos. Como é que vamos resolver isto? Primeiro, definir prioridades. Quando não há vestígios, puxa-se pela imaginação. Fazem-se cálculos de probabilidades e tenta-se chegar aos nomes. Depois de encontrados os nomes, procura-se os corpos. E finalmente a localização dos mesmos nesta esfera armilar que é uma representação do mundo e da vida. Não nos podemos esquecer de quem somos, de onde vimos nem onde estamos. O contexto é crucial. Se há vida, ela é tanto eu como tudo o resto. A seta não se move só numa direcção. Eu por exemplo nunca quis ser polícia. Sempre quis ser ladrão.

A: Então és tu o perpe… perpre… preper… perpertra… o perpetrador?

B: Isso seria fácil de mais. E já nada é fácil. O facilitismo já era.

Catequese - Décimo Sétimo Dia

Hoje:

último Mentecapto com André e. Teodósio.

"O espectáculo CONSERVATÓRIO do Teatro Praga é mau. Justifique. (máx. 1000 caracteres)"

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Catequese - Décimo Sexto Dia

Começamos hoje a última semana de Catequese, curso intensivo de verão, com:

Styling: Como se aprumar para ir à igreja,
com Joana Barrios.
Cão Solteiro, à conversa com Paula Sá Nogueira e sua sobrinha Matilde.

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

Catequese - Quarta Semana

- Que sejam felizes para sempre. Sendo que para sempre é impossível porque ninguém fica aqui para sempre. E não vai ser ao mesmo tempo. Um deles fica e outro vai. É sempre assim. Há-de vir o funeral. E não conheço ninguém que num casamento não se pergunte: quem é que vai morrer primeiro? A vida é um corrida que só podemos ganhar se matarmos aqueles que amamos. Os que perdem dão à luz. Chama-se criar. Ou ainda: suicídio. Adoro as evidências. Vou lá sempre parar. É o síndrome da árvore no deserto. Pode beijar o noivo.

Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Catequese - Dia Doze

C: Arnold, anda cá.

S: Eu não estou aqui.

C: Porque é que não deixas a nossa filha casar?

S: A nossa filha?

C: Não vês que ela ama. Não vês que ela precisa de consumar o seu amor.

S: Qual amor?

A: Eu amo a minha profissão. Quero casar com o teatro!

S: Estás a falar a sério?

A: Eu amo o mundo. Quero casar com o mundo!

S: Só podes estar a gozar.

C: Então, Arnold. É a tua filha.

S: Mas quem é que é o Arnold?

C: És tu.

S: Mas quem é que sou eu se eu não estou aqui? Quem é que escreveu isto? Detesto comédias de guerra. Detesto comédias sobre a identidade da comédia. Prefiro as comédias de portas. Prefiro não saber quem é que está atrás da porta do que não saber com quem é que estou a falar.

A: Mas as casas já não têm portas. As casas já não têm tecto, nem chão, nem parede, nem penico.

in Terceira Idade

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

You had me at "Hello"

Terça-feira, 12 de Julho de 2011

Catequese - Terceira Semana

B: A historinha da comédia é: eu encomendo uma comédia de guerra para o meu casamento. Só que o meu casamento não acontece e portanto a comédia não se faz. A comédia é escrita. Mas não é feita.

A: Não. O casamento acontece mas a sogra ou a mãe ou o pai não gostam de comédias de guerra e a comédia não se faz.

S: Mas escreve-se.

C: Não é nada disso. A comédia é um casamento. De guerra. E o casamento está escrito. Mas não é feito, porque a sogra ou a mãe ou o pai não gostam de casamentos.

S: Só gostam de funerais.

C: Exactamente.

B: Então eu não me vou casar?

S: Não. Vais morrer.

A: Não. A comédia é: isto não foi escrito e nós não estamos a fazer isto. Não estamos aqui agora. Tu não existes.

B: Eu não existo?

C: Não. Tu existes mas não és o que és porque nós não sabemos ler. Somos analfabetos.

A: Já sei: isto é uma comédia escrita por analfabetos que é um casamento onde vai ter lugar uma comédia de guerra feita por velhos.

S: Gosto.

C: Não, já sei. A história é: chegámos atrasados e o casamento já aconteceu e a comédia já acabou. E é por isso que ainda estamos aqui. Mas já não somos nós.

A: Porque já aconteceu.

C: E não estamos aqui.

B: Quer dizer que eu já casei.

S: Tu já morreste. E isto é um funeral.

A: Que é uma comédia.

C: De identidades. É uma comédia de identidades. Na guerra.

S: Num funeral.

C: E no papel.

A: Uma comédia que é feita mas não foi escrita.

B: E eu não me posso casar?

A: Tu podes tudo. Isto é uma comédia!

in Terceira Idade (1ª versão)


Hoje: Terceira Idade. J.M. Vieira Mendes

Amanhã: Mentecapto. André e. Teodósio

Depois de amanhã: Criar intervalos: políticas da obra de arte. Vanessa Brito.

Depois de depois de amanhã: Who needs realism when you can have fakism? Cláudia Jardim.

Depois de depois de depois de amanhã: Sabbath.


 
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